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A fisionomia
do novo Brasil estampa o perfil de mulheres decididas, fortes,
corajosas, atuantes, pró-ativas, defendendo direitos até
então restritos aos homens, ocupando cargos públicos
nas diversas esferas da política e da administração,
liderando campanhas, dirigindo empreendimentos.
A palavra de ordem – IGUALDADE – sobrepõe-se
a uma palavra em processo de inanição: subordinação.
Inspira-nos o princípio: "Não
basta afirmar que homens e mulheres são iguais perante
a lei, é imprescindível fixar em que termos essa
igualdade é comprovada e desenvolvida". Assim como
firme é a convicção de que a mulher ocupa
hoje um papel central na vida brasileira.
Vejam a grandeza do salto no mercado de
trabalho. Há 65 anos, a mão-de-obra feminina correspondia
a somente 19% da força de trabalho brasileira. Hoje, as
mulheres ocupam cerca de 42% do mercado.
No campo do comando empresarial, cerca
de 16% das empresas são presididas por mulheres, o dobro
do percentual registrado há dez anos.
Na área que tenho imenso orgulho
de integrar, a advocacia, as mulheres passam a ter participação
fundamental: 52% dos profissionais da advocacia são mulheres.
Este é um claro sinal de mudanças
no mercado, nos valores culturais, nos padrões comportamentais,
na comprovação definitiva de que a mulher passou
a acreditar em seus potenciais criativos e intelectuais para galgar
degraus em campos historicamente dominados por homens. O desejo
de manter-se independente, inclusive financeiramente, leva a mulher
a buscar espaço no mercado com muita força e vontade
e sem abrir mão de seu papel feminino, a ela inerente,
de mãe, de esposa, de avó.
São valorosas as mulheres que, hoje,
desempenham a famosa jornada dupla. Aliás, não mais
dupla, mas múltipla e diversificada.
Porém, o preconceito ainda existe,
muitas vezes velado, refletindo-se, por exemplo, na remuneração.
Em geral, as mulheres ainda ganham 10% a menos que os homens,
mesmo ocupando as mesmas funções.
Há, também, outras barreiras
e dificuldades que se apresentam cotidianamente às mulheres:
os assédios sexual e moral continuam sendo uma dura realidade,
razão pela qual temos orientado as nossas ações
e mobilizado as nossas energias para construir uma sólida
base educacional. A educação é a arma principal
contra os preconceitos. E cabe a nós, mulheres, atuarmos
como protagonistas de nossa própria valorização
pessoal e profissional.
Nessa trilha, a Ordem dos Advogados do
Brasil tem liderado ações e iniciativas visando
à promoção da condição feminina,
promovendo cursos e discussões, onde as mulheres se preparam
para atuar politicamente e mostrar seu talento no espaço
do mercado.
Na esfera política, ouso dizer que
o papel da mulher será absolutamente transcendental para
a eficiência da matriz política e aperfeiçoamento
dos padrões e comportamentos políticos.
Sem querer cometer injustiças contra
a fibra dos homens e reconhecendo os valores da decência,
da nobreza, da seriedade, do compromisso com a coisa pública
e da dignidade, que se fizeram presentes na história de
muitos políticos brasileiros, em todos os ciclos de nossa
história, lembro que a mulher detém, pelas qualidades
intrínsecas ao gênero, princípios que, seguramente,
se apresentam como absolutamente necessários em uma moldura
de crise como a que estamos, nesse momento, vivenciando em nosso
país, tais como o zelo, a preocupação com
os detalhes, com a probidade, com o bom exemplo, enfim, uma base
moral e ética que integra de forma sistêmica a própria
condição feminina.
Por isso as mulheres devem se mobilizar
para preencher as vagas que lhes são destinadas na esfera
pública e nas suas respectivas corporações,
favorecendo um ambiente político plural e efetivamente
democrático.
Conclamo,
assim, a manutenção de nossa intensa mobilização
em todos os setores e a participação em todos os
debates, exercitando a força feminina no desenvolvimento
de mudanças sociais.
| Márcia
Regina Machado Melaré
é advogada e vice-presidente da OAB/SP. |
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